Depois de revolucionar os realities na televisão brasileira durante anos, Boninho decidiu encarar um novo desafio na Record com A Casa do Patrão, um formato vendido como “a próxima grande aposta do gênero.”
A proposta era interessante: voltar às origens dos realities de confinamento, apostando apenas em participantes anônimos e em uma dinâmica diferente da tradicional. No papel, parecia uma excelente ideia. Na prática, porém, o programa nunca conseguiu conquistar o público.
Os problemas começaram logo na estreia. A audiência ficou muito abaixo do esperado, o engajamento nas redes sociais era pequeno e o reality simplesmente não virou assunto entre o público.
Diferentemente de programas como BBB ou A Fazenda, que dominam conversas nas redes sociais, grupos de WhatsApp e até rodas de amigos, A Casa do Patrão passou praticamente despercebido.
Outro ponto bastante criticado foi a apresentação de Leandro Hassum. Embora seja um excelente humorista, sua condução do reality não transmitia a firmeza e a provocação que esse tipo de programa exige. Faltava provocar conflitos, extrair posicionamentos dos participantes e conduzir as dinâmicas com mais intensidade.
A prova disso apareceu quando Hassum precisou se afastar temporariamente por questões de saúde e Dudu Camargo assumiu a apresentação durante alguns dias. Mesmo dividindo opiniões, Dudu demonstrou uma postura mais próxima da linguagem tradicional dos realities: questionava os participantes, cobrava posicionamentos e conduzia as interações de maneira mais direta. Para muitos espectadores, aqueles episódios foram mais interessantes do que boa parte da temporada.
Nem mesmo Boninho escapou das críticas. Durante a coletiva de lançamento, ele apresentou diversas regras e prometeu um formato rígido. No entanto, conforme o programa avançava, várias dessas decisões foram sendo abandonadas. Os administradores das redes sociais dos participantes passaram a atuar, mudanças foram feitas no regulamento durante a exibição e o reality acabou perdendo parte da identidade que havia sido prometida.
O elenco também demorou para engrenar. Nas primeiras semanas, muitos participantes evitavam conflitos e tinham dificuldade em se posicionar, deixando o jogo morno. Apenas na reta final surgiram discussões, rivalidades e enredos mais interessantes. O problema é que, quando isso aconteceu, boa parte do público já havia perdido o interesse.
Outro detalhe curioso é que o formato lembra bastante o reality argentino El Hotel de los Famosos (2022-2023), que trabalha com a dinâmica entre hóspedes e funcionários. Em A Casa do Patrão, essa ideia foi adaptada para “patrão” e “empregados”, mas a execução acabou não entregando o impacto esperado.
O resultado foi um programa que chegou ao mercado cercado de expectativas e com a assinatura de um dos maiores diretores de realities da televisão brasileira, mas que terminou sem conseguir criar relevância cultural. Faltou repercussão, faltou audiência e, principalmente, faltou aquele efeito de fazer o país comentar o que acontecia diariamente dentro da casa.
Nos bastidores, muito se comenta que a Record esperava um desempenho muito maior. Em diversos momentos, o reality perdeu audiência para atrações consolidadas do SBT, como Programa do Ratinho e A Praça é Nossa, um cenário distante das expectativas criadas para um projeto que prometia revolucionar o gênero.
Ainda existe a possibilidade de uma nova temporada, mas dificilmente ela poderá repetir a mesma fórmula. Se o programa realmente voltar, será necessária uma reformulação profunda: um elenco mais forte, uma apresentação mais adequada ao formato, regras mais consistentes e uma identidade que faça jus ao histórico de Boninho no entretenimento. Afinal, ninguém conhece realities de confinamento no Brasil melhor do que ele — e justamente por isso, A Casa do Patrão acabou se tornando, até aqui, o trabalho mais decepcionante de sua carreira fora da Globo.
Série atualmente disponível no Disney+




