Do Auditório ao Planalto 

Uma review de Silvio Santos Vem Aí (2025)

Finalmente assisti à terceira adaptação cinematográfica sobre Silvio Santos, o maior comunicador que o Brasil já teve e que, por décadas, foi o rosto principal dos domingos em milhões de lares. 

O filme escolhe um recorte histórico fascinante: sua candidatura à Presidência da República. No entanto, o roteiro toma uma decisão narrativa ousada e polêmica ao colocar Silvio quase como um coadjuvante de luxo em sua própria biografia. A verdadeira protagonista é Marília, uma publicitária fictícia interpretada por Manu Gavassi, que acompanha o apresentador durante a campanha eleitoral. 

Embora o ponto de vista dela traga uma perspectiva externa interessante para contar a história, fica a sensação de que o personagem que todos fomos ver acaba perdendo o centro do palco em alguns momentos.

O filme acerta ao não mostrar apenas o Silvio político, mas ao fundir o candidato com o animador de auditório. É fascinante ver como ele domina a arte de falar com as massas, usando os mesmos recursos do estúdio no palanque. 

Um dos pontos mais criativos é a forma como a Marília compara os programas de TV com a vida real de Silvio; a direção traduz isso através de devaneios visuais enquanto ela o assiste gravando, criando um jogo de espelhos onde ele conversa consigo mesmo em quadros diferentes de seus programas. Essa escolha destaca a genialidade (e as nuances) de alguém que nunca deixava de ser um “showman“, não importa o cenário.

Sobre a atuação de Leandro Hassum, preciso admitir que me surpreendi positivamente. Ele entregou um Silvio construído com estudo e respeito, fugindo totalmente do tom caricato que costumamos ver. Hassum não imitou; ele interpretou. 

Ficou nítida a diferença de tom que ele aplicou: enquanto no palco ele usa a risada clássica e os trejeitos do apresentador que o Brasil ama, no ambiente de escritório ou nas conversas com a Marília, ele adota uma impostação séria e firme. Essa dualidade é algo que outros atores que viveram o Silvio pecaram ao tentar reproduzir, mas que o Hassum captou com maestria. Para mim, foi a caracterização que mais se aproximou do verdadeiro Silvio Santos.

Visualmente, o filme também entrega um bom trabalho. O elenco de apoio é excelente, com destaque para a escolha da bancada de calouros, que traz uma nostalgia imediata. A direção de arte e a fotografia me agradaram bastante, superando o receio que tive quando a Paris Filmes divulgou as primeiras imagens. 

Como um bom fã que evitou qualquer tipo de spoiler ou crítica externa para ter uma impressão genuína, saio da sessão satisfeito. É um filme interessante e bem executado que, na minha opinião, só fica atrás de O Rei da TV (2022-2023) em termos de profundidade. Uma visão curiosa sobre o maior ícone da TV brasileira, agora disponível na Netflix.

Minha nota 3,5

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *