Resumindo
Sei que sou suspeito, mas é um belo e macabro terror independente que mostra o potencial brasileiro
Expandindo
Sou suspeito para falar pq esse filme é do Jovem Nerd, um grupo de criadores de conteúdo e notícias nerd/ geek que eu acompanho desde que eu me conheço por gente e além de ver alguns detalhes dos bastidores, eu pude participar da campanha de apoiadores deles, colocar meu nome nos créditos, ir no tour de pré-estreia e conhecer os envolvidos, então foi como apoiar e prestigiar o projeto de um amigo.
Na história, 3 soldados da Guerra do Paraguai acabam deserdando e indo parar na casa de um velhinho e uma mulher, só que as coisas vão ficando cada vez mais bizarras…
Fora algumas curiosidades dos bastidores que eu vou falar mais pra frente, vamos com o que temos: uma história fortemente inspirada em A Bruxa (2015) e outros projetos só que com o DNA brasileiro!
Gostei que somos jogados ao mundo e aos personagens do nada, temos um pequeno lettering contextualizando a Guerra do Paraguai e partimos a partir daí, não sabemos suas motivações, mas sabemos que eles deserdaram e querem fugir.
Toda a atmosfera da casa é um personagem a parte, se sabe que tem alguma coisa muito sinistra acontecendo, mas não sabe o que nem o porquê, porém sim, basicamente é uma história Lovecraftana — ou seja, loucura, rituais e criaturas de outra dimensão — o que eu particularmente gosto muito.
O curioso é que todos os personagens são falhos. Pra mim o protagonista é o Gustavo (Jorge Guerreiro), justamente pq ele é o único com flashback e o último sobrevivente — mas por quanto tempo? Não se sabe — o Gabriel (Pierre Baitelli) é o clássico rebelde revoltado, o Anselmo (George Sauna) é aquela pessoa boa que foi corrompida pela guerra, a Garota (Jade Mascarenhas) é uma maluca de primeira com um passado no mínimo extremamente cabuloso.
Mas o Fazendeiro (Luiz Carlos Persy) é o MVP do projeto, não tem jeito, já sabia que ele era um monstro da dublagem, mas agora acredito fielmente que o cara pode fazer qualquer coisa, ele é um doce de pessoa, mas não tem como não ficar incomodado com a presença de cena do personagem dele… O cara impõe respeito e medo.
Sobre a direção do Ian SBF, sei que ele fez bastante coisa para a Porta dos Fundos e que existe uma linha tênue entre comédia e terror, porém não conhecia esse lado mais sombrio dele e curti demais como ele conseguiu usar outras referências em tela, ficou show!
Gostei de como a história foi se desenvolvendo no quesito loucura, loucura, loucura, pois quanto mais tempo os personagens passam na casa, mais a mente deles vai se degradando e tudo acaba culminando numa noite só: é facada, incêndio, decepação, soldados chegando e algo muito maior vindo…
Sobre o Horror e Terror — ainda não sei diferenciar esses dois direito — eu achei o filme tenso e brutal, porém esperava ficar com mais medo, talvez pela efervescência coletiva eu tenha saído mais de boas, kkkk, então pra mim não deu medo.
Acho incrível que eles já planejaram um universo expandido no quesito, se der certo vai ter uma sequência, mas principalmente já fizerem quadrinhos com a Pipoca e Nanquim que contam a história prévia dos personagens e mostra o que eles fizeram antes de parar ali onde encontramos eles.
Gostei de como o filme acaba, basicamente com o Gustavo decidindo de vez que não vai confiar em mais ninguém, matando o Anselmo que ia entregar ele para os soldados e bem no finalzinho, a gente vê a criatura que o ritual tava impedindo de sair, acredito que o vislumbre fique no corte final.
No geral é um bom filme, mas como pude explorar mais dos bastidores, conversar com os envolvidos e participar ativamente de alguma forma, pra mim é um ótimo filme Lovecraftiano e mal posso esperar para explorar mais desse universo fantástico, sombrio e brasileiro.
Bastidores
Pra mim todo o filme é um milagre pq envolve muitas pessoas e fatores, mas os brasileiros parecem um milagre ainda mais forte, nesse caso tem dezenas de histórias de bastidores, mas gostaria de destacar algumas
- O roteiro era uma ideia original do diretor que foi incrementada numa parceria com o Jovem Nerd e Azaghal
- Foram 15 dias de diárias para gravar o filme inteiro, o que é uma loucura
- Toda a capitação de áudio foi natural, sem redublagem por cima e ficou incrível!!!
- Toda a iluminação também foi basicamente a luz de velas, absurdo
- Perto da casa que eles gravaram tinha uma cachoeira e o diretor literalmente falava “desliga a cachoeira” para gravar
- O título surgiu de uma conversa de telefone do diretor com o Antonio Tabet, onde ele contou a história do projeto e o outro Tabet jogou o nome na lata, o diretor repetiu em voz alta e alguém que estava com ele falou “A Própria Carne? Que que é isso, filme de terror?” O resto é historia
- Eles de fato tacaram fogo na casa
- O monstro é o bebê do Azaghal e se chama José
- O monstro do final foi fortemente inspirado no Mapinguari do folclore brasileiro, e depois que vc vê, fica bem na cara
- Tem um livro dos bastidores cheio de detalhes (talvez eu vá atrás)
- Tem um erro de continuidade na cena de remoção da bala, onde a manga da Garota vira uma regata, mas eu não tinha reparado
- Eles só tinham 3 uniformes para as filmagens
- As armas são reais e vieram de um colecionador
- Por motivos de copywrite, objetos e menções a criaturas, são outras, então sem necrobomicon
Frases que merecem destaque
- “Você vai me foder aqui nessa cozinha?”
Destaques Extras
- Dá torcicolo só de olhar para o personagem do Fazendeiro, se é loko
- Quem conseguiu ver o quadro da família que tava faltando perto da carroça?
- Preciso dizer que pra mim o melhor filme brasileiro Lovecraftiano ainda é Abraço de Mãe (2024)
- O diretor curtiu minha review no letterboxed AAAAAHHHH (tamo junto)
- Como o Fazendeiro sabe tanto sobre o mundo?
Nota: 8,0
Filme atualmente disponível nos Cinemas
Isso é tudo pe-pe-pessoal, obrigado por ler e até a próxima!




