Resumindo
Um documentário sobre uma lenda criativa em busca de uma das suas maiores inspirações
Expandindo (Com Spoilers)
Fiquei sabendo que o Borgo estava desenvolvendo esse documentário faz tempo (aparentemente 3 anos) pelas redes sociais, e logo de cara fiquei animado. Tão animado que acompanhei as novidades que foram saindo, peguei o ingresso da pré-estreia comentada em São Paulo (juntamente com o livro dissecando o roteiro).
Na história, Érico Borgo e sua equipe enxuta embarcam numa viagem sobre a biografia não autorizada e o processo criativo de J.R.R. Tolkien, simplesmente o autor de O Senhor dos Anéis.
Participar da primeira sessão comentada aberta ao público foi muito legal, pq além de conseguir trocar algumas poucas palavras com os realizadores é muito legal ver quem fez o projeto falando dele com paixão, saber dos perrengues, escutar as interpretações e soluções de quem vivenciou é fenomenal.
Claro que eles pensaram em varias personalidades para fazer um documentário independente explorando o processo criativo, mas não sei dizer, parece que Tolkien foi o certo pq é um dos maiores gênios de século XX sobre um assunto extremamente nerd (idiomas e fantasia medieval).
O Borgo é um ótimo comunicador, com muito tempo de experiência na internet que consegue trazer uma leveza e uma seriedade ímpar ao assunto. Gostei muito da direção da Laís Almeida, que pegou a bucha pra si dizendo “eu vou dirigir” e só depois foi se aprofundar no assunto de direção enquanto o Érico pesquisava (um processo de no mínimo 6 meses).
Sobre a estrela de Elendil do documentário, que está no título: Tolkein foi uma personalidade extremamente peculiar, pois desde cedo desenvolveu um amor incomum pela filologia (estudo das línguas), morou em lugares muito belos do Mundo Antigo e viveu horrores nas Guerras Mundiais, tudo isso enquanto criava idiomas e mitologias por “brincadeira” até que decidiu publicar o Hobbit e só depois dos 60 anos, O Senhor dos Anéis.
Sobre o verdadeiro protagonista, além do Borgo ser uma pessoa mais relacionável (um criativo brasileiro) nos acompanhamos a sua própria reflexão sobre sua vida e carreia, de co-fundador do Omelete a CCXP, até o seu curso sobre método criativo e a tentativa frustrada de fugir dos algoritmos. É muito legal ver alguém que continua se reinventando pq não consegue ficar na mesma página e realmente conseguindo!
Adorei como a narrativa foi sendo conduzida desde o começo, contando sim muito da história do Tolkien, mas tentando entender de onde surgiram algumas de suas ideias icônicas, desde encontros na taverna a cenários incríveis. Mas acredito que a cereja do bolo foi o encerramento com as lápides do casal carregando uma das homenagens mais belas e românticas da literatura: Beren e Lúthien, com direito a um momento muito especial e dançante.
Um conceito que eu gostaria de ressaltar do documentário é a aplicabilidade, onde Tolkien disse que não gostava de alegorias explícitas como em As Crônicas de Nárnia, ele criou um legendário incrível com termos, terras e personagens que significaram alguma coisa pra ele, mas o que ele jogou no mundo e podem ser interpretas de inúmeras formas, assim como o seu processo criativo.
Acredito que é impossível analisar esse documentário sem levar em conta a Inteligência Artificial e os algoritmos que nos trouxeram a um ponto singular da história humana, onde temos tanta, mas tanta referência que até fica difícil encontrarmos a fonte, mas falta a profundidade para realmente florescer uma idea. Recomendo o artigo do Gustavo Giglio, uma reflexão muito legal sobre o documentário e criatividade em tempos de IA!
Gostei da saída de marketing para fazer o filme ser viável nas salas de cinema e quem sabe futuramente no streaming. Divulgar desde o começo, criar uma comunidade já interessada, buscar parceiros falando “opa, já temos 10 milhões de visualizações sobre esse assunto, querem nos apoiar?” E fazendo essa estreia mais enxuta.
O documentário ainda vai ter algumas sessões comentadas pelo Brasil (saiba mais). Conta com um livro expandindo o roteiro (link não afiliado…). E estreia oficialmente na rede Cinemark dia 13 de Outubro de 2026 (em horários não convencionais). Ainda estou esperando o livro de ficção, mas quais surpresas será que o futuro e o Érico nos reservam?
No geral é um documentário muito divertido e realmente um híbrido entre internet e cinema, obviamente eu sou totalmente parcial, mas se vc curte o Borgo e suas loucuras e Senhor dos Anéis, vale a conferida!
Palavrão Counter: 8
Destaques Extras
- A equipe jurídica disso aqui teve que lidar muito com direitos autorais kkkk
- O cara cresceu e viveu em uns lugares bonitos pakas
- Descobri que projetores de cinema não tem entrada HDMI, o bagulho vai por satélite
- Ja tinha conhecido o Borgo e a Laís numa palestra na ESPM/ SP em 2022, por isso estava mais tranquilo!
- Em uma tarde Tolkien convenceu o amor da sua vida a romper um casamento e ir com ele, brabo demais
- Acho muito legal que o Tolkien e o C.S. Lewis (autor de As Crônicas de Nárnia) foram amigos
- De fato o meme da Turma da Mônica é muito bom kkkkkk
- Psicopasta = Moodboard físico

Frases que Merecem Destaque
- Pra mim esse filme é a culminação da minha carreira criativa.
- Criatividade é deixar sua cabeça buscar respostas no seu repertório cultural.
- Como que a gente vende esse documentário como um True Crime? Pq tem um assassinato!
- Eu travei quando fui escrever o roteiro = livro
- Como preservar/ usar a imaginação no mundo atual?
- O que você faria hoje se aceitasse o risco de não ser bom no começo?
- Jornadas terminam para que outras possam começar
Nota: 10
Documentário atualmente disponível nos cinemas
Isso é tudo pe-pe-pessoal, obrigado por ler e até a próxima!




