Estamos Vivendo a Era de Ouro do Terror?

Divagações sobre o gênero Terror 

Não é de hoje que a onda do terror parece estar vivendo o auge do seu potencial, porém mais recentemente tivemos alguns destaques interessantes…

O legal do terror bem feito — o trash também tem suas qualidades, mas não são todos — é que eles refletem um medo da sociedade, seja de forma intencional ou não.

O Exorcista (1873) mostrava o medo de uma punição/ possessão religiosa ao extremo. O Massacre da Serra Elétrica (1974) acompanhava uma família de párias do capitalismo matando jovens para canibaliza-los. Madrugada dos Mortas (1978) refletia o medo da própria sociedade se tornar uma ameaça. Alien: O Oitavo Passageiro (1979) mostrava uma criatura fálica de outro mundo gerando vida forcada em um ser humano. Halloween (1978) falava sobre o perigo chegando nas zonas urbanas. A Bruxa de Blair (1999) mostrou como o poder da lenda urbana era forte antes do auge da internet. E Atividade Paranormal (2007) mostrou para o mundo que o terror caseiro faz o sobrenatural ficar ainda mais assustador. 

De-lá pra cá tivemos outros títulos de destaque, mas na última década esses destaques ficaram cada vez mais comuns (ainda bem) e como o terror é considerado um gênero barato — logo, com altas chances de lucratividade — faz sentido ideias originais florescerem ainda mais. 

Alguns anos atrás, Jordan Peele fez história com o terror social de Corra (2017), um dos melhores filmes da década que fala sobre o racismo velado da sociedade americana, o projeto veio de um comediante, e venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original. Curioso como quem fez comédia também consegue fazer um terror bem feito. 

Ao mesmo tempo que alguns filmes receberam o devido reconhecimento, alguns também foram esnobados, como Hereditário (2018), que mostrou como enlouquecer pode ser genético; Não, Não Olhe (2022)Texto no Blog — que foi uma exlente crítica a espetacularização da violência, mas foi esnobadaço nas premiações; e até mesmo Midsommar (2019) Texto no Blog — que mostrou como o intercâmbio cultural pode não dar tão certo as vezes…

Claro que um filme de terror não precisa ser reconhecido em premiações para se tornar relevante, porém ajuda muito para ganhar visibilidade e furar a bolha, apresentando para quem não acompanha o nicho, o que convenhamos não atrapalha a situação. 

A Substância (2024)Texto no Blog  — chegou às grandes premiações criticando a indústria que usa o corpo feminino até certo ponto, depois descarta. Infelizmente no finalzinho foi esnobado, mas pelo menos venceu Oscar de Melhor Roteiro Original.

Pecadores (2025)Texto no Blog — se tornou o filme mais indicado na história do Oscar (16 indicações ao todo, apesar de não ter sido tão reconhecido, venceu 4 categorias) enquanto usava o sobrenatural para falar sobre vampirismo cultural. 

A Hora do Mal (2025) Texto no Blog — conseguiu o feito de ter uma atriz coadjuvante indicada e vencedora do Oscar como a vilã do filme. Ao mesmo tempo que falava como as instituições atuais podem falhar com as futuras gerações. O próximo projeto do diretor é se aventurar com Resident Evil ainda esse ano!

Sem falar a nova onda do terror encabeçada por influenciadores/ criadores da internet, com destaque para Fale Comigo (2023) e Faça Ela Voltar (2025) dos diretores Irmãos Philippou do canal no YouTube RackaRacka; O crítico Chris Stuckmann, que trocou de lado e juntamente com o maior financiamento coletivo do Kickstarter deu vida a seu projeto Shelby Oaks (2025); Tem o filme baseado em game, Iron Lung (2026) produzido e protagonizado pelo Markplier e ainda teve o Brasil nessa leva, com o Jovem Nerd produzindo o terror A Própria Carne (2025)Texto no Blog — e esse eu participei do financiamento coletivo e estou com meu nome nos créditos, pode procurar! Os filmes podem não ser necessariamente bons, mas pelo menos representam uma nova safra de ideias que ganharam força com a Internet. 

Esse ano tivemos Backrooms: Um Não-Lugar (2026)Texto no blog — uma lenda urbana da internet que ganhou vida pelo jovem Kane Parsons que fazia curtas sobre o assunto no YouTube e que agora já é o maior sucesso da história da A24. O diretor visualizou toda uma crítica sob o olhar da geração desiludida com o Sonho Americano  que não consegue mais sentir tédio.

E o fenômeno Obsessão (2026)Comentários Aleatórios — uma ideia original  do criador de conteúdo Curry Barker, que mostra um relacionamento tóxico elevado a última potencia (não estou falando da Nikki) e extremamente barato para os padrões de Hollywood, e já se tornou um dos filmes mais lucrativos da história (considerando orçamento X bilheteria). Ainda existe a possibilidade da Inde Navarrette ser indicada ao Oscar pela sua performance absurda! Já foi confirmado que o diretor vai comandar o remake de O Massacre da Serra Elétrica e eu acredito que ele pode entregar algo a altura do clássico.  

Claro que ao mesmo tempo existem franquias do terror que começaram com ótimas ideias, mas já estão fazendo hora extra simplesmente pq dá dinheiro, como Jogos Mortais que está indo para o seu 11º filme canônico após um 10° muito bom, Pânico que está indo para o seu 8º após um 7º filme amargo… E por aí vai. 

Acho muito legal poder presenciar a maioria desses projetos no cinema e realmente acredito que estamos vivendo uma bela Era de Ouro do gênero de terror/ horror e apesar de algumas pedras no caminho, o futuro promete ser ainda mais interessante com mais ideias originais (ou não), mas com a visão de criativos que cresceram com a internet e montaram um portfólio de outro nível, ou uma comunidade que já os conhecem.

Isso é tudo pe-pe-pessoal!

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