Bastidores das Backrooms

Uma review de Backrooms: Um Não-Lugar (2026)

Resumindo 

O hype foi maior do que a entrega, mas achei maneirão 

Expandindo (Com Spoilers)

Estava com expectativas um pouco acima da média para esse filme pq talvez eu tenha consumido o equivalente a 24h ou mais sobre Backrooms (Alguns juntamente com o Mago André), então eu, o próprio, a Lenda Felipolas, a (Não Tão) Recém Cinéfila Xerfan e o meu Parceiro de CCXP Nicolas fomos conferir no cinema e a experiência geral foi OK. 

Na história, um dono de uma loja de departamentos falida descobre uma realidade paralela na sua parede, some e sua psicóloga vai atrás dele. 

O conceito de Backrooms surgiu de forma anônima e colaborativa num fórum do Four Chan, onde um usuário postou a foto de um escritório amarelado e abandonado e outro complementou com essa descrição “Se você não tomar cuidado e der noclip (atravessar a realidade) pelos lugares errados, acabará nos Backrooms, onde existe apenas o cheiro de carpete velho e úmido, a loucura do amarelo monocromático, o ruído incessante das lâmpadas fluorescentes zumbindo no máximo e aproximadamente 600 milhões de milhas quadradas de salas vazias segmentadas aleatoriamente. Que Deus o ajude se você ouvir algo vagando por perto, porque com certeza ele já ouviu você.” dando início a uma Creepy Pasta (Lenda Urbana da internet). 

Um destaque dessa Creepy Pasta, foram os curtas feitos por um jovem chamado Kane Parsons, que hoje já somam quase 80 milhões de visualizações no YouTube. Os curtas foram feitos no Blender, um programa gratuito para criação de cenários 3D, onde ele uniu o estilo Found Footage para trazer o conceito para realidade através do sentimento analógico e do terror. Como ele se destacou tanto, a própria A24 foi atrás dele e fechou um contrato para ele dirigir o filme quando ainda tinha 17 anos! 

O diretor definiu as Backrooms como o resultado de uma exaustão social com uma monocultura industrializada, com essas palavras bonitas dá pra interpretar que ele é fruto da geração desiludida com o Sonho Americano, onde prometam que a vida adulta seria incrível, mas estamos vivendo uma crise social, emocional e criativa, que ainda pode estourar em uma crise econômica. 

Mas afinal, o que são os Backrooms e pq o conceito fez tanto sucesso na internet? Minha interpretação: Eles são os bastidores da nossa realidade, um bug na matrix, um terror cósmico muito maluco, mas muito fascinante, com suas próprias regras — ou falta delas — e que ganhou um status de Lenda Urbana da Internet. 

Sobre o título brasileiro “Backrooms: Um Não-Lugar” a princípio eu não curti, mas depois de receber o contexto de que um não-lugar é um espaço limiar, ou seja um espaço de transição, onde todo mundo passa, mas ninguém de fato vive nele, como por exemplo uma estrada ou um aeroporto, aí eu comecei a gostar, parabéns.

Agora finalmente sobre o filme em si, eu curti demais, mas muito por toda a lore (história aprofundada) desse conceito, do que pelo que realmente vimos nas telas. A história é legal, mas ver o que eu acompanho na internet sendo trazido a vida por um design de produção espetacular foi incrível! 

A direção do Kane Parsons é extremamente competente no padrão contemporâneo de cinematografia, mas sinto que os anos fazendo curtas para a internet sobre o assunto, lhe deram um preparo único para mover a câmera nessa ambiente assustador. 

Sobre a explicação e a não-explicação do conceito, acredito que a melhor definição foi a de que o Backrooms se lembra, mas não conhece de fato, como um sonho do imaginário coletivo, sendo o melhor exemplo o de explicar um cachorro para alguém que não sabe o que é e depois pedir para a pessoa desenhar, não tem como ser a mesma coisa. 

Acredito que a maior mudança aqui são as adições das criaturas vivas nos Backrooms, tem todo uma história de monstros bizarros e uma bactéria estranha, mas aqui isso muda para literalmente seres vivos comestíveis (??) baseado nessa ideia de lembrança de um sonho distante, gostei, mas queria MUITO um monstro bizarro igual dos curtas, apesar desse não ficar muito pra trás não. 

Sobre os personagens, achei o Clark (Chiwetel Ejiofor) um belo frustrado que se torna um pirado de primeira. A Mary (Renate Reinsve) entrega uma psicóloga que ajuda as pessoas, mas precisa de muita ajuda pq está traumatizada. Esperava mais da Kat (Lukita Maxwell) pq conheço ela da série Falando a Real (2023-Atualmente), uma série cotidiana muito boa por sinal! Mas aqui ela é só uma adolescente preocupada. E os outros nem se fala…

Me diverti demais durante o filme todo, mas infelizmente ele se perde muito no terceiro ato, toda essa explicação e não-explicação juntamente com a participação ativa a Async (empresa que descobriu as Backrooms) deixa as coisas muito expositivas, porém vc ainda sai sem entender. Na minha perspectiva, a psicóloga não saiu das Backrooms, ela ficou numa unidade de pesquisa e foi dada como desaparecida, porém a criatura que vemos no final não é ela, é o imaginário coletivo quebrado dela, visto que ela aparece em um comercial de TV assim como o Clark.

Qual o futuro dessa franquia? O filme fez um sucesso avassalador no seu final de semana de estreia e provavelmente teremos outros projetos — filmes, séries ou mais curtas — porém a graça é ficar nesse mistério constante com migalhas de respostas, então dependendo de como for talvez canse um pouco, mas sinto que independentemente, esse projeto foi uma vitória da internet apropriada por Hollywood para fazer a máquina girar. 

No geral é um filme legal para quem não conhece o contexto, mas ao mesmo tempo em pode ser divertido pode ser chatão, porém para quem acompanha esse universo e ver ele ganhando vida com um orçamento milionário é fascinante demais.

Destaques Extras 

  • É muita sacanagem os Backrooms aumentarem a conta de energia do cara, kkkkkk
  • A cena da psicóloga entrando nos Backrooms foi muito massa!
  • Curiosidade, nós EUA teve uma campanha de marketing que enviava um material por fax!
  • A mãe da psicóloga ficou maluca como a personagem do “House of Leaves” citado em um dos curtas 
  • Gostei demais do aceno para os Pools Levels!! 
  • Depois que o monstro foi revelado, ele ainda meteu medo
  • Acredito que o Kane Parsons é o diretor mais novo de Hollywood, porém não achei fontes 
  • Não é que carregar uma pedra no bolso foi útil ?
  • Gosto como os Backrooms são infinitas
  • As nuvens na janela durante a entrevista parecem estáticas como um papel de parede…
  • A música de perda de memória foi pesado
  • Backrooms é basicamente o Sete Além Moderno 
  • A popularidade do conceito definitivamente cresceu com a pandemia e fotos de espaços vazios
  • O diretor faz aniversário no mesmo dia que eu!
  • No final a versão quebrada da psicóloga tem seis dedos, como algumas artes de IA 
  • Imagina vc criar um conceito na internet, fazer tanto sucesso que ganha um filme que faz milhões e vc ganha zero conto!

Nota: 8,0 

Filme atualmente disponível nos cinemas

Isso é tudo pe-pe-pessoal, obrigado por ler e até a próxima!

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