Baseado no best-seller homônimo, “Em Defesa de Cristo” narra a história real de Lee Strobel, um jornalista investigativo do Chicago Tribune que se define como um ateu convicto e cético ferrenho.
A trama ganha força quando sua esposa, Leslie, converte-se ao cristianismo após uma mulher salvar a vida de sua filha e atribuir o milagre a Deus. Incomodado com a mudança da esposa, Lee decide usar suas habilidades jornalísticas para provar, a qualquer custo, que a ressurreição de Cristo foi uma farsa.
A narrativa é fascinante por colocar a fé à prova sob o rigor de uma investigação técnica. O roteiro traça um paralelo inteligente entre a pesquisa bíblica de Lee e um caso de tentativa de homicídio que ele cobre no jornal. Esse contraponto força o jovem jornalista a pensar em dobro, desafiando suas próprias convicções enquanto tenta resolver ambos os mistérios.
Para sustentar sua tese, ele recorre a fontes diversas e renomadas: indo desde um padre arqueólogo a um médico, passando por uma psicóloga agnóstica e um colega jornalista.
O que torna o filme instigante é que, embora Lee busque desesperadamente por falhas, todas as evidências convergem para a mesma resposta. O clímax intelectual ocorre quando ele percebe que o maior obstáculo para encontrar Deus não era a falta de provas, mas sua própria resistência em aceitá-las.
Essa cegueira ideológica também reflete em seu trabalho no jornal: Lee descobre que foi
manipulado em sua investigação criminal, escrevendo uma matéria que favorecia a pessoa errada. Somente após compreender os argumentos da “Defesa de Cristo” é que ele consegue, enfim, desvendar o caso real e enxergar a verdade em sua vida pessoal.
Um ponto emocional crucial do filme é a relação pessimista e distante que Lee mantém com o pai. O roteiro faz uma comparação profunda entre a figura do pai terreno e a de Deus, deixando-o reflexivo, especialmente após a perda do patriarca próximo ao fim da trama.
Após sua conversão, Lee tenta publicar sua pesquisa no jornal, mas diante da recusa de seu editor, aceita a sugestão da esposa para transformar sua investigação no livro que hoje é um marco da apologética cristã.
Tecnicamente, o filme entrega uma experiência sólida. Com uma fotografia competente e um roteiro muito bem amarrado, a obra é assinada pelos mesmos produtores de “Deus Não Está Morto”, mas com um tom muito mais investigativo e biográfico. É uma recomendação certeira para quem gosta de histórias sobre transformação e a busca incessante pela verdade.




