Resumindo
A vida do cabra é tão difícil que ele não pode nem morrer em paz, mas É BELA PRA CARAMBA!
Expandindo (Com Spoilers)
Já estava animado para esse filme pq é do diretor Guilhermo del Toro, e posso não ser fã de muitos projetos dele, mas sei que quando o assunto é design de produção e narrativa gótica o cara não decepciona, muito pelo contrário, surpreende! E ele nunca escondeu que Frankenstein sempre foi uma inspiração, e agora finalmente o criador encontrou sua criação perfeita.
Numa época distante, mas muito bela, Victor Frankenstein (Oscar Isaac) é um gênio brilhante com um objetivo muito claro: superar a morte! Mas quais são as verdadeiras implicações disso?
Desse casamento gótico surgiu um novo clássico, del Toro consegue com maestria reviver uma das histórias mais conhecidas e marcantes da literaturas e do cinema, superando a morte de um conto esquecido — ou com adaptações no mínimo MUITO duvidosas — e trazendo uma beleza macabra que só esse diretor e seus parceiros conseguiriam realizar.
O design de produção e figurino disso aqui é um ABSURDO, e saber que cada detalhe foi feito à mão e pensado por pessoas só engrandece tudo, trazendo a tona o embate de Arte X Inteligência Artificial — Que convenhamos, empresas e investidores não vão pensar 0.5 vezes em adotar IA para fazer tudo se for pra cortar gastos, mas cadê a alma disso?
Gostei demais de como a história volta para a essência, mas com um foco ruim no Victor, pô recentemente a gente só viu uma ideia meio Pinóquio na qual ele amava a criatura, mas aqui o protagonista é um canalha que só se importa com seu objetivo de superar a morte, mas depois não liga para o pós-sucesso — só pq não era como ele queria.
Adorei a dualidade entre Victor X Criatura no melhor estilo amor e ódio entre pai e filho onde parece que um desconta todas as suas frustrações no outro — obviamente mais o Victor — e a Criatura trás a tona o velho “não julgue o livro pela capa”, pois apesar de ser odiado e maltratado, ela consegue ver a beleza no mundo.
As verdadeiras pérolas do filme são de fato os protagonistas, Victor é um gênio louco com uma infância conturbada, mas que não lhe dá passe livre pra ser babaca. A Criatura (Jacob Elordi) trás uma inocência única só pelo olhar e pala presença de cena ímpar — pô o cara tem quase 2 metros de altura.
Sobre os outros personagens, o Pai do Victor (Charles Dance) é um monstro. A Mãe dele só sofre, coitada. O irmão é legal, mas não tem muito destaque a não ser o sentimento de companheirismo. O Barão (Christoph Waltz) é o financiador com um objetivo bem claro, e curti a revelação da Sífilis. A Elisabeth (Mia Goth) como esposa do irmão é um ótimo contraponto pro Victor, no melhor sentido: “só pq vc é o inteligentão não quer dizer que vc sabe tudo” e claro o “te amo, te odeio” — vale lembrar que a mãe do Victor é interpretada pela mesma atriz.
Gostei demais de reparar que a maioria das cenas tinha um toque de vermelho e tentar entender o pq disso. Aparentemente vermelho, que simboliza alerta e violência está diretamente relacionado ao Victor Frankenstein, o verde que simboliza a natureza está relacionada a Elizabeth e se não me engano o azul que representa a melancolia está associado a criatura — mas posso estar errado! No documentário eles explicam direitinho!
Não posso falar muito sobre a adaptação da história original, mas ao mesmo tempo em que vi pessoas reclamando, vi pessoas elogiando, eu fico mais no segundo time, pois senti que as adaptações do del Toro para a história, principalmente em relação a Elizabeth e ao passado do Victor, funcionaram.
No geral é a mesma história de sempre com o del Toro, ele sempre quer mostrar o belo nas criaturas maltratadas pela sociedade, e que o ser humano as vezes é mais monstruoso que os monstros, pq quando ele era mais novo ele tinha um problemas de saúde e sentiu que era visto como um freaky, mas eu sinto que Frankenstein é o ápice de sua cinematografia e fiquei muito feliz de poder acompanhar a reimaginação dessa história!
Frases que merecem destaque
– “Victor”
Destaques Extras
– O diretor disse que ficou feliz em realizar a adaptação dos seus sonhos aos 60 anos “não como o filho de meu pai, mas como o pai de minhas filhas”. — Forte
– “Fuck AI!” Guilhermo del Toro
– Pena que eu não vi no cinema…
– Tem um documentário sobre a produção também disponível na Netflix com várias curiosidades e bastidores chamado Frankenstein: Aula de Anatomia (2025)
– Freud explica a questão da mãe e interesse amoroso
– Cadê a sobrancelha da Mia Goth?!
– Caraca, OLHA ESSE CAIXÃO DE MÁRMORE!!
– O nome “Victor” ganhou mais peso
– Gostei muito do toque de “profano” com a criatura basicamente crucificada
– Os vestidos da Elizabeth foram baseados em insetos e até em Raio-X!!
– Estava planejado para o Andrew Garfield ser s Criatura, ainda bem que não foi
– Ainda não li o livro da Mary Shelley, sei que to no erro
– Lembrando que o livro original se chama O Prometheus Moderno
Nota: 10
Filme atualmente disponível na Netflix
Isso é tudo pe-pe-pessoal, obrigado por ler e até a próxima!





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