Será que Vale Tudo? 

Uma review de Vale Tudo (2025)

O remake de Vale Tudo chegou à tela da Globo carregando o peso de um clássico intocável e, de fato, o início foi turbulento. O que era para ser um fenômeno de imediato, virou um campo de batalha para a autora Manuela Dias

As críticas iniciais eram pesadas, e a audiência, que é o termômetro implacável, refletia a insatisfação, flertando com os piores índices da faixa e chegando a perder público para a novela turca exibida pela Record

Grande parte dessa revolta inicial mirava a escalação, com a enorme expectativa sobre Bella Campos como a ambiciosa Maria de Fátima – que o público, após Pantanal (2022), esperava ver brilhar de forma diferente. 

Além das atuações, o roteiro era questionado por fugir da essência. A autora sofreu críticas por modernizar demais a linguagem de personagens icônicos, como a vilã Odete Roitman, vivida por Débora Bloch, que, para muitos, falava de maneira “muito correta” e polida, distante da aura gélida e impiedosa da original. 

O descontentamento aumentou com a inserção de trends modernas, que pareciam forçadas. No entanto, a essência do clássico foi mantida, e a virada de chave que marcou a recuperação veio no momento mais folhetinesco: o casamento de Maria de Fátima.

A partir dali, a novela encontrou seu rumo. A tão esperada surra de Raquel (Taís Araújo) em Maria de Fátima logo após o casamento se tornou um estouro de audiência, batendo picos próximos aos 30 pontos! O público, que havia se afastado, começou a retornar, e a trama se complexificou. 

Foi interessante ver a Odete mudando sutilmente seu jeito de tratar as pessoas, adotando uma linguagem mais próxima de Heleninha (Paolla Oliveira), o que humanizou a vilã na medida certa. 

A grande sacada de Manuela Dias veio ao adaptar cenas da versão original que dependiam de comoções da mídia tradicional para a era da internet: o icônico meme do “Assistente da Maionese na Paladar” (referência ao funcionário da revista de Raquel), foi um artifício de roteiro para gerar a mesma viralização e polêmica que antes vinha apenas do jornalismo impresso. A audiência disparou, e a comoção aumentava a cada plot twist, culminando na grande revelação de que o filho da Odete estava vivo — um gancho dramático que prendeu o espectador.

Mas o ápice da trama veio com o mistério da morte de Odete. O público ficou chocado ao descobrir que o atirador era Marco Aurélio. O crime parecia perfeito porque ele utilizou a arma de Heleninha, que havia sido deixada no quarto de Odete depois de tentar matá-la. 

Desta forma, Marco Aurélio não precisou usar sua própria arma, que tinha silenciador, e a autoria do crime ficou completamente mascarada. No entanto, a autora elevou o jogo ao revelar que a morte de Odete era uma farsa: ela forjou o próprio assassinato com a ajuda de Freitas. Ela saiu do hotel “desacordada”, fez uma cirurgia para remover a bala e, no final, escapou do Brasil deixando a trama em aberto com uma frase de efeito icônica: “Odete Roitman volta”. 

Vale Tudo 2025 provou que a releitura de um clássico pode sim ter um início instável, mas a força de sua história central, combinada com ajustes de rota e a coragem de usar artifícios modernos no roteiro, transforma a narrativa em um fenômeno de audiência e repercussão, mas e aí, Será mesmo que Vale Tudo?

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