Resumindo
Uma revisitação do clássico ao mesmo tempo em que abra debate sobre o futuro da humanidade.
Expandindo
Não tem jeito, pra mim qualquer produção ou collab em qualquer mídia que envolva o xenomorfo automaticamente tem a minha curiosidade e atenção e com uma série do Alien produzida pela Disney definitivamente não seria diferente, muito pelo contrário só aumenta a minha expectativa devido ao nível de produção que será entregue. Acabei por assistir a série duas vezes, uma com a Lenda Felipolas e o Mago André e outra com a minha maravilhosa mamãe, acredito que no geral todo mundo curtiu pelas discussões filosóficas que a série acaba por trazer.
A história se passa em 2120, 2 anos antes dos eventos do filme original, Alien – O Oitavo Passageiro (1979) e apesar de não ser considerado hard canon (aparentemente esse termo existe), conta uma história pregressa, onde a criatura cai na Terra e claro gera uma baguncinha.
Gosto muito do contexto cyberpunk em que a Terra se encontra, onde 5 mega-corporações lideram o mundo econômica e socialmente, mostrando que os governos não são páreos para o capitalismo. E claro a qualidade de vida geral tá uma porcaria, é pouca gente com acesso à tecnologias literalmente milagrosa, essa é a essência do gênero: low life, high tech (baixa qualidade de vida, alta tecnologia).
Na trama principal acompanhamos a Marcy / Wendy (Sydney Chandler), a primeira pessoa a ter sua consciência transferida para um corpo sintético pela corporação Prodogy. Só o conceito dessa brincadeira é um absurdo muito legal de se refletir, tipo: Ela deixa de ser humana? Quais os efeitos de transferir uma consciência de uma criança para um corpo adulto e sintético? Esse é o futuro da humanidade? E por aí vai, abrindo várias ideias de transhumanismo (transcender a humanidade).
Adorei a metáfora do menino gênio, Boy Kavalier (Samuel Blenkin) com Peter Pan e a Terra do Nunca, onde as crianças nunca crescem. Primeiro, ser um jovem gênio trilionário deve ser muito legal, mas muito tedioso, socialmente falando, tipo, se já zerou a vida, mas claro do que adianta tudo se vc não vive para sempre? Justamente aí que entre a corrida da humanidade rumo a imortalidade, que vale dizer, foi estabelecido que temos os sintéticos (andróides), os ciborgues (humano com partes de robô) e agora os híbridos (consciência transferida).
Claro que ela não é a única criança a fazer parte desse processo e ver como isso afeta outros personagens é um tesouro a parte… A protagonista tem um irmão, Hermit (Alex Lawther), um paramédico que acredita que perdeu sua família inteira, mas vive o pão que o Alien amaçou e tem simplesmente o pior melhor dia de trabalho, onde quase morre umas 3x, mas reencontra sua irmã de certa forma.
Toda a atmosfera dos dois primeiros episódios que te remete diretamente ao ambiente da Nostromo (nave do primeiro filme) foi espetacular, pois em cada canto ou cabo solto, vc se pergunta “será que o Alien está aqui?” E as vezes de fato ele está lá espreitando nas sombras, fora que ver as consequências de uma nave de pesquisa caindo no coração de uma mega-cidade cyberpunk não tem preço. E ainda tem o episódio 5!! Que explica como a nave caiu e foi um deleite a parte, basicamente um curta de Alien se é loko.
Acredito que o maior problema dela está em algumas decisões criativas e o comportamento de alguns personagens, mas ao mesmo tempo que ela erra muito em uns, ela simplesmente voa alto com alguns.
Falando um pouco sobre os personagens e alguns subplots:
- A Wendy/ Marcy é a protagonista dessa bagaça e é preciso lembrar sim, ela é uma criança prodígio no corpo de um sintético, cheia de complexidades e sentimentos, mas por algum motivo, realmente é especial
- O Hermit, irmão da Wendy é o famoso CLT que está tentando mudar de vida, mas seus objetivos mudam drasticamente após um contato imediato de 5° grau e descobrir que sua irmã está viva (de certa forma).
- O Kieth (Timothy Olyphant) é o Roy Bethany de Blade Runner no universo de Alien, tanto física quanto psicologicamente, pra mim é fácil fácil um dos melhores personagens da franquia!
- O Morrow (Babou Ceesay) é o primeiro ciborgue da franquia, mas é muito legal que ele parece ser mais sintético que todo mundo, pois representa o corporativismo cego e talvez tenha um chip no cérebro, mas ao mesmo tempo tem o maior drama a lá interestelar.
- O casal de cientistas Dame (Essie Davis) e Arthur (David Rysdahl) que ajudou a transcender o limiar entre inovação científica é foda e talvez isso não seja muito ético… Mas gera uma bela crise de relacionamento.
- O Boy Kavalier é a representação máxima de gênio riquinho sem filtro social, imagina se o filho do Elon Musk segue esse caminho?
- O Slightly (Adarsh Gourav) tem um drama todo que serve para mover a narrativa e é super compreensível que ele foi manipulado, ele é uma criança
- No podcast foi revelado que a Nibs (Lily Newmark) realmente tem um passado traumático, então faz sentido ela ter bugado
- A Curly (Erana James) é a aluna preferida que nunca foi, apenas
- O Tootles / Isaac (Kit Young) é um cientista em ascensão descobrindo seu papel como indivíduo, mas que acabou voando perto demais do sol…
- O Ocellus (Alien Zoiodinho, ou zoiodinha) é uma ótima adição ao panteão de criaturas estranhas, o bicho é ruim por natureza, inteligente e só quer gerar o caos e controlar um corpo estranho
- O Carrapato Espacial é um terror a parte, o bicho é inteligentinho e leva a máxima a ideia de comer e se reproduzir a todo o custo.
- O Fauna Flora só foi explorado no último episódio e foi muito legal, mas construiu de mais pra entregar de menos…
Assim, a gente já sabia que não ia dar pra resolver tudo que a série vinha construindo, mas no final a Wendy ativou o godmode, os aliens fizeram a festa (somente com os figurantes), 1 híbrido foi de base de maneira idiota, tivemos a revolta da consciência e todos os personagens mais relevantes terminaram presos, então isso não é um final aberto, isso é um “confira no próximo episódio da semana que, só vai ser lançado daqui 1 ou 2 anos”, assim, sinto que deveria ficar mais revoltado, mas to de boa se confirmarem a renovação da série para um 2º ano…
No geral foi uma série muito legal de se acompanhar semanalmente (duplamente e com o podcast oficial), que brinca muito com o transhumanismo e explora a ficção-científica ao máximo. Eu me diverti muito, mas sou suspeito para falar, sei que tem problemas, ainda assim, fácil uma das melhores series do ano pra mim.
Frases que merecem destaque
- “When a machine is not a machine?”
- “Looks flora, but can be fauna”
- “That’s what been an adult is. A constant test”
Destaques Extras
- Não sei se foi no 1º ou no 2º episódio, mas tivemos um dos melhores frames da história

- Meter Era do Gelo na franquia Alien foi uma jogada de mestre
- No final do 1° episódio deu uma forçadinha de barra, considerando que o irmão já estava perto dos ovos e foi sequestrado
- Descobri que a família da Wendy no flashback é composta pelo diretor principal Noah Hawley e seu filho
- Acho muito legal que todo o episódio acaba num rockzinho
- Post de apreciação dos posters de Alien Earth
- Para quem quiser se aprofundar mais nesse universo o em alguns detalhes dos realizadores, existe o Podcast Oficial de Alien Earth o qual eu escutei e adorei a complementação
- A Nave da vez se chama Maginot, que faz referência a Linha de Maginot, um feito da engenharia moderna que consiste em bunkers subterrâneos para a defesa da França, porém foi facilmente superada quando os Alemães só contornaram, o que será que isso quer dizer?
- Tem alguns indícios ao longa das franquias (principalmente a tecnologia e o diretor original) de que Blade Runner (1982) e Alien se passam no mesmo universo e aqui todo o papo de sintéticos e principalmente com o Kirsh, isso fica gritante!
- O ator do Boy Kavalier disse que se inspirou num episódio de Além da Imaginação (1959-1964) no qual um garoto telepata tenta fazer com que todo mundo seja feliz de um jeito deturpado
- Gostei da reviravolta em que o Kavalier planejou a queda da nave
- Os cientistas da nave Maginot foram meio Prometheus das idea…
- Gostei muito da luta entre Morrow vs Kirsh!!
- Não acredito que o zoiodinha finalmente encontrou um hospedeiro, isso vai dar pano pra manga na 2a temporada!
Nota: 9,0
Série atualmente disponível no Disney+
Isso é tudo pe-pe-pessoal, obrigado por ler e até a próxima!





[…] Comentários (Com Spoilers): Hard Transhumanismo […]